Quadrinhos

Batman #146 – HQ – Crítica

Compartilhe:

  Super-Heróis: Uma Análise de Batman #146

A narrativa cíclica e os quadrinhos de super-heróis têm uma relação simbiótica, em grande parte devido às raízes compartilhadas da mitologia e da jornada do herói. 

O monomito, uma estrutura recorrente, é frequentemente representado como um círculo, no qual o herói parte de sua zona de conforto, enfrenta desafios no mundo exterior e, eventualmente, retorna com uma dádiva ou conhecimento valioso. Essa estrutura circular se encaixa perfeitamente no mundo dos super-heróis, especialmente devido à natureza serializada das histórias em quadrinhos. 

Os personagens revisitam padrões, elementos clássicos e tendências passageiras, enquanto os criadores se esforçam para inovar dentro desse ciclo interminável. Um exemplo emblemático desse fenômeno é o próprio Batman, o arquétipo do vigilante/super-herói.

Batman #146: Uma Abordagem Diferente

O número 146 da série Batman começa com uma mudança de ritmo. Em vez de focar no protagonista, a história revela como o psicólogo Capito sobreviveu ao primeiro ano de confronto com o Coringa e ascendeu ao cargo de Diretor de Blackgate. Escrita por Chip Zdarsky, com arte de Michele Bandini, cores de Alex Sinclair e letras de Clayton Cowles, a trama detalha o processo pelo qual Capito implanta um dispositivo de segurança na mente de Bruce Wayne, visando proteger o vigilante. Durante uma intensa luta entre Batman e o Coringa no arco Mindbomb, o vilão declara uma frase de código que leva Batman a libertar Capito de sua cela. Essa abordagem inusitada busca quebrar o formato tradicional da edição, introduzindo um antagonista e um enredo que se entrelaçam com a narrativa principal.

A Arte e a Escrita em Conflito

A arte de Bandini contrasta fortemente com o estilo regular da série, proporcionando uma transição visual desafiadora para os leitores. A escolha de um colorista diferente, Alex Sinclair, também contribui para essa quebra de padrão. A paleta de cores de Jeremy Morey, por sua vez, tenta elevar os elementos visuais, capturando nuances e criando uma atmosfera única. 

No entanto, a luta constante entre a arte e a escrita reflete o próprio ciclo interminável da narrativa de super-heróis. Mesmo quando os criadores buscam inovação, a estrutura básica permanece, girando como um monomito em constante movimento.

Em resumo, Batman #146 oferece uma perspectiva diferente, desafiando as convenções e explorando novos caminhos dentro do universo do Cavaleiro das Trevas. A saga continua, e o ciclo de heróis e vilões persiste, como um eterno retorno ao ponto de partida.

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo