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Asphalt City (2024) – Crítica

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 Asphalt City, dirigido por Jean-Stéphane Sauvaire, teve originalmente o título de Black Flies, em homenagem ao romance de Shannon Burke do qual foi adaptado. O filme estreou no ano passado em Cannes e aborda as situações desafiadoras enfrentadas pelos trabalhadores da EMT nas ruas de Nova York. A franqueza de Asphalt City é apropriada para o tema, mas é Black Flies que captura com maior precisão o tom sinistro do filme.

A trama gira em torno de Ollie Cross (interpretado por Tye Sheridan), um novato na equipe de paramédicos. Um encontro no trabalho desencadeia memórias traumáticas de sua infância, e os cineastas habilmente retratam esse momento como uma crítica à visão de Nova York como um lugar decadente e sombrio.

Duas cenas do filme mostram Gene (interpretado por Sean Penn) sendo colocado em licença administrativa. Penn entrega uma atuação silenciosamente espetacular, transmitindo o alto custo emocional do trabalho de paramédico. Apesar das provações enfrentadas, Penn nos faz compreender por que Gene cruza linhas éticas, mesmo antes do filme revelar explicitamente que ele o fez. Até mesmo em uma cena com sua ex-mulher (Katherine Waterston), a tristeza nos olhos de Penn conta a história do relacionamento deles ao longo dos anos.

No entanto, a verdadeira miséria de Asphalt City está sempre presente. O momento mais impactante não é aquele em que o pit bull que Ollie tentou salvar acaba morto por um membro de gangue, mas sim quando o colega Lafontaine (interpretado por Michael Pitt) coloca o animal em seu armário de trabalho. Essa cena sutilmente retrata os sintomas de esgotamento entre os paramédicos.

Com a autenticidade da região leste de Nova York e a natureza desafiadora do trabalho de Ollie, Asphalt City nos leva a refletir sobre a dura realidade enfrentada pelos profissionais de emergência.

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