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007 – Sem Tempo Para Morrer (2021) – Crítica

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 Em 007 – Sem Tempo Para Morrer, depois de sair do serviço ativo da MI6, James Bond (Daniel Craig) vive tranquilamente na Jamaica, mas como nem tudo dura pouco, a vida do espião 007 é agitada mais uma vez. Felix Leiter (Jeffrey Wright) é um velho amigo da CIA que procura o inglês para um pequeno favor de ajudá-lo em uma missão secreta.

O que era pra ser apenas uma missão de resgate de um grupo de cientistas acaba sendo mais traiçoeira do que o esperado, levando o agente inglês 007 ao misterioso vilão, Safin (Rami Malek), que utiliza de novas armas de tecnologia avançada e extremamente perigosa.

 

Sem Tempo para Morrer é o filme mais completo e grandioso por mais parecer uma viagem por toda “fase Daniel Craig”, trazendo momentos de grande tensão, que era a força de Cassino Royale; uma trama familiar que envolve política, a única adição positiva do modorrento Quantum of Solace (2008); a elegância estética e narrativa presente no jovem clássico Operação Skyfall, com um inimigo que assusta só de olhar; e as set pieces estrambólicas e bem executadas de Spectre, rivalizando com os recentes Missão: Impossível. Talvez só o tamanho, quase 3 horas de duração, seja além da conta.

Quase dois anos separaram a data de lançamento original, anunciada em 2019, e a estreia do filme, de fato. Surpreendentemente, Sem Tempo Para Morrer crava um paralelo poético e certeiro com o período que estamos vivendo em 2021. No início da trama, vemos James Bond vivendo um relacionamento apaixonado com Madeleine (Léa Seydoux) – após uma excelente e trágica cena de abertura centrada no passado da personagem.

É bom ver que Sem Tempo para Morrer foi parar em boas mãos, já que Cary Fukunaga mantém a excelência dos seus trabalhos anteriores e constrói uma narrativa que, a todo momento, mescla o crível ao absurdo. Da mesma maneira o cineasta é hábil por também criar diversas rimas narrativas expressadas ora pelo cenário, ora por objetos de pista e recompensa. Com destaque para o reencontro de M com Bond, onde através de uma mesa vemos o que parecia ser um duvidoso e pequeno M se transformar na figura basilar e poderosa que sempre foi. E, como não podia deixar de ser, Fukunaga deixa sua marca visual característica, advinda de um rigor técnico estético quase kubrickiano – ou mesmo por dar umas cutucadas de la revolucion que farão alguns chama-lo de comunista. De maneira geral, não é ousadia dizer que a despedida de Daniel Craig, o 007 mais físico e intenso, não poderia ter sido melhor – talvez, muito talvez, só comparável.

Uma reviravolta, então, nos leva cinco anos à frente quando o espião está aposentado, levando uma vida discreta na Jamaica. As décadas de filmes de espionagem já nos ensinaram que nenhum agente secreto realmente se aposenta e, logo, Bond é chamado de volta ao serviço por conta de uma nova ameaça mundial que envolve uma arma biológica roubada e um cientista desaparecido.

O filme faz uma conexão maior do que a habitual ao “universo cinematográfico” do James Bond de Daniel Craig e traz elementos importantes de 007 Contra Spectre: não é necessário ter assistido ao filme anterior para entender este, mas ter em mentes os principais acontecimentos do longa de 2015 ajuda, sim. Blofeld (Christoph Waltz), Felix Leiter (Jeffrey Wright) estão de volta junto com Madeleine, cujo romance com Bond é um pouco difícil de aceitar, especialmente por ter vindo depois do furacão Eva Green.

Lashana Lynch (Capitã Marvel) interpreta uma das novas personagens, Nomi, agente que recebe o codinome 007 depois da aposentadoria de James, o que gera uma estranheza entre os dois logo de cara. Infelizmente, ela não há tanto espaço para uma dose maior de interação entre os dois 007, o que certamente seria positiva à história, já que, com o pouco que tiveram, a dupla mostrou uma química convincente.

O diretor Cary Joji Fukunaga executou bem uma tarefa difícil: homenagear a história de James Bond no cinema sem pesar a mão. Há, por exemplo, a lembrança a “We Have All The Time In The World”, música de 007 – A Serviço Secreto de Sua Majestade, que combina perfeitamente com a proposta trazida pelo cineasta.

“Engane-me uma vez, engane-me duas vezes. Você é a morte ou o paraíso?”, canta Billie Eilish na música de abertura, que prenuncia o clima melancólico inerente a todo final de ciclo. 007 – Sem Tempo Para Morrer é uma história sobre as marcas que o tempo deixa. À beira do fim é sempre inevitável olhar para trás e, de repente, tudo ganha mais clareza: o que é realmente importante e o que foi só o excesso. Daniel Craig ganhou uma despedida satisfatória e, como ator, eleva a exigência para o futuro do personagem.

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