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O Show de Truman (1998) – Crítica

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 O Show de Truman O Show da Vida (originalmente The Truman Show) é uma produção de 1998 que se tornou um clássico do cinema. Trazendo Jim Carrey como protagonista, o filme mostra a vida de um homem que é a estrela de um programa de TV no estilo reality show, sem que ele tenha conhecimento. The Truman Show (O Show de Truman) é um filme norte-americano de comédia dramática de 1998 dirigido por Peter Weir e escrito por Andrew Niccol. Estrelado por Jim Carrey, o filme mostra a vida de Truman Burbank, um homem que não sabe que está vivendo numa realidade simulada por um programa da televisão, transmitido 24 horas por dia para bilhões de pessoas ao redor do mundo. Truman começa a suspeitar de tudo o que ocorre ao seu redor, e embarca em uma busca para descobrir a verdade sobre sua vida. Também no elenco estão Laura Linney, Noah Emmerich, Natascha McElhone e Ed Harris.

 

A gênese de The Truman Show foi um roteiro elaborado por Niccol em 1991, inspirado no episódio “Special Service” de Além da Imaginação. O rascunho original tinha mais o tom de um thriller de ficção científica, com a história se passando em Nova Iorque. Scott Rudin comprou esse roteiro e prontamente mostrou o projeto para a Paramount Pictures. Brian De Palma estava interessado em dirigir o filme antes de Weir assumir e conseguir produzi-lo com apenas 60 milhões de dólares dos 80 estimados para o orçamento. Niccol reescreveu o roteiro ao mesmo tempo em que os cineastas esperavam que a agenda de Carrey ficasse livre para as filmagens. A maior parte do filme foi gravada em Seaside, uma comunidade planejada localizada no Panhandle da Flórida.

Em uma era de cultivo de reality shows e enorme força dos meios de comunicação de massa na sociedade, O Show de Truman, filme indicado a três Oscars e dirigido pelo australiano Peter Weir, aparece como uma reflexão cada vez mais atual, colocando o espectador em uma posição dialética — como aquele que vê, julga e sabe produzir o que está vendo — e mostrando temas transversais que vão do Mito da Caverna (Platão) e Utopia (Thomas More) até interpretações sociológicas que contemplam o poder e manipulação do cinema, rádio, televisão e mídias impressas sobre as pessoas.

O filme tem o roteiro escrito por Andrew Niccol, O Show de Truman nos conta a história de um reality show que tem como personagem principal um homem chamado Truman Burbank (Jim Carrey em boa interpretação, mais ou menos fora de sua zona de conforto), que desde criança tem sua vida observada por milhões de espectadores ao redor do mundo. Sendo o primeiro ser humano comprado por uma empresa e utilizado como matéria-prima para um programa de entretenimento, Truman vive uma vida praticamente perfeita, em uma cidade ideal que aparentemente está ali para fazê-lo feliz e se importar com ele, mas na verdade, todos estão interpretando um papel e ajudando um showrunner e seus investidores a ganhar muito dinheiro.

Basicamente foi utilizado a dinâmica da televisão em favor do filme, Peter Weir consegue grande agilidade na narrativa ainda em seus primeiros minutos e não deixa o roteiro de Niccol esgotar-se, apesar de algumas sequências e inserção de personagens do escritor não fazer assim tanto sentido ou ter grande valor para o andamento da história — percebam que aquelas duas entrevistas que aparecem no começo ou as interrupções de pessoas no programa são redundantes dentro do próprio texto, porque a presença de Christof e as diversas falhas de execução e transmissão do programa falam a mesma coisa com muito mais eficiência.

Ainda assim, a história não perde o seu gosto voyeur e obviamente joga nesse campo para atrair o público. A expectativa comum nos reality shows é estendida para o filme, onde as perguntas sobre o futuro de Truman ou como o espetáculo terminaria acabam sendo o mote de curiosidade que nos mantém atentos e isso demonstra uma grande criatividade de Andrew Niccol ao fazer uso de experiências externas (C. S. Lewis; Além da Imaginação) para dar corpo à história e competência de Peter Weir em usar honestamente as ácidas críticas do roteiro disfarçadas de entretenimento despreocupado, que, ironicamente — percebam o abismo dentro do abismo — acaba sendo a proposta do filme que vemos e do próprio mundo dele, posto que as críticas ao “Show de Truman” igualmente existem no “mundo de fora do programa”, dentro do filme.

O diretor de fotografia Peter Biziou soube trabalhar muito bem com diversos tipos de lente e projetores de imagens, seguindo a proposta geral da produção de que a dinâmica da TV não deveria se afastar da obra. Técnicas mais presentes no Primeiro Cinema como imagens em olho de peixe ou íris (angulando ou adicionando fades escuros nas bordas do quadro para destacar o centro) foram usadas na medida certa, assim como correções precisas de cores para a cidade fictícia de Truman e o mundo exterior a ela, que pouco vemos, a não ser pelos olhos dos espectadores.

Quando vemos O Show de Truman, percebemos que todos estão conectados ao personagem e ao show de alguma forma. Concordando ou não com os métodos de Christof, todos assistem ao programa, torcem pelo personagem (cada um com um interesse pessoal nele, que não deixa de ser um objeto semiótico de desejo), esperam dele alguma coisa. Percebam que a relação do espectador com as diversas mídias é apenas um aspecto da obra, uma vez que a mesma atitude pode ser observada no cotidiano, de pessoas que “assistem” às outras, cobram determinadas posturas dela, esperam que vençam provas, que sejam algo previamente organizado, escrito, acordado.

É como se Niccol e Weir transferisse o show para um cenário onde pessoas seguem uma vida que acreditam ser normal, obedecendo a regras que não foram convidadas para fazer e possibilitando o aumento de figurantes e agentes que darão continuidade e legitimidade a essas regras e posturas pré-estabelecidas. O Show de Truman acaba sendo a nossa própria vida, “assistida” de forma um pouco menos evidente (ou não?) pelas nossas instituições.

O enredo é sensacional, e uma direção episódica, O Show de Truman tornou-se, merecidamente, um fenômeno cultural, com direito a estudos de diversas áreas acadêmicas, discussões acaloradas e um público que no mínimo se diverte muito durante sua exibição. Um show exibindo um show e criticando o show que as pessoas pagaram para ver, além de metaforizar a vida dessas pessoas também como parte de um show. Truman, nessa história toda, é tão real e tão fictício como qualquer um de nós. Nossa desvantagem é que raramente há trilha sonora emotiva e cameo de Philip Glass tocando um de nossos grandes encontros.

Truman Burbank viveu sua vida inteira, mesmo antes de seu nascimento, na frente das câmeras do Show de Truman, apesar de não saber disso. A vida de Truman é filmada através de milhares de câmeras escondidas, 24 horas por dia, sendo transmitida ao vivo para todo o mundo, permitindo que o produtor executivo Christof capture emoções reais de Truman ao colocá-lo em certas situações. A cidade de Truman, Seahaven, é um cenário completo construído dentro de um enorme domo e povoada pelos atores e a equipe do programa, permitindo que Christof controle todos os aspectos da vida de Truman, até o clima. Para impedir que Truman descubra sua falsa realidade, Christof criou meios de dissuadir seu senso de exploração, incluindo “matar” seu pai em uma tempestade no mar para criar um medo de água, fazer relatos e “anúncios” dos perigos em viajar e transmitir programas de televisão que falam das vantagens de permanecer em casa. Entretanto, apesar do controle, Truman conseguiu se comportar de maneiras inesperadas, em particular se apaixonando por uma figurante, Sylvia, ao invés de Meryl, a atriz que deveria ser sua esposa. Apesar de Sylvia ser retirada do cenário rapidamente, sua memória permanece com Truman, e ele começa a pensar secretamente sobre uma vida com ela fora do casamento com Meryl. Sylvia faz parte da campanha “Liberte Truman”, que luta para que Truman seja libertado do programa.

Durante o aniversário de 30 anos do Show de Truman, Truman descobre fatos que parecem fora do lugar, como um refletor de uma das estrelas artificiais do céu noturno que cai e quase o atinge, e uma conversa da equipe de produção no rádio de seu carro que descreve seu caminho até o trabalho. Esses eventos são pontuados pela volta de seu pai, supostamente “morto”, no cenário, primeiro vestido como um mendigo. Tudo isso faz Truman começar a questionar sua vida, percebendo que a maior parte da cidade parece girar em sua volta, com as mesmas situações ocorrendo todos os dias. O estresse em Meryl para ela continuar seu papel apesar do crescente ceticismo de Truman e crescentes hostilidades fazem o casamento ruir. Truman tenta sair de Seahaven, porém fica preso por não conseguir marcar voos, quebras de ônibus, trânsitos repentinos, um incêndio florestal e um aparente vazamento nuclear. Depois de Meryl ser retirada do programa, Christof oficialmente traz o pai de Truman de volta, esperando que sua presença diminua seu desejo de ir embora. Todavia, ele apenas fornece um alívio temporário: Truman começa a se isolar e ficar em seu porão depois de Meryl tê-lo “deixado”. Em uma noite, Truman consegue escapar de seu porão através de um túnel secreto, forçando Christof a suspender temporariamente a transmissão pela primeira vez na história. Isso causa um surto na audiência, com muitos telespectadores, incluindo Sylvia, vibrando com sua fuga.

Christof ordena que todos os atores e a equipe comecem a revistar a cidade numa formação de corrente. Depois de alguns minutos de busca a equipe é forçada a “ligar o sol” quebrando o ciclo dia-noite para otimizar a busca. Eles descobrem que Truman conseguiu superar seu medo de água e está velejando para longe da cidade com um pequeno barco chamado Santa María (o nome do navio em que Cristóvão Colombo descobriu o Novo Mundo). Depois de restabelecer a transmissão, Christof ordena que a equipe do programa crie uma grande tempestade para tentar virar o barco. Entretanto, a determinação de Truman faz Christof eventualmente encerrar a tempestade. Enquanto Truman se recupera, o barco chega no final do domo, com a proa perfurando a pintura de céu da parede. Um horrorizado Truman descobre uma escada ali perto, levando a uma porta marcada como “saída”. Enquanto ele contempla deixar seu mundo, Christof fala diretamente com ele através do sistema de som, tentando persuadi-lo a ficar dizendo que não há mais verdade no mundo real do que no mundo dele, o mundo artificial. Truman, depois de um momento de reflexão, fala seu bordão, “Caso eu não os veja mais… bom dia, boa tarde e boa noite”, se curva para seu público e, então, passa pela porta em direção ao mundo real. Os telespectadores celebram sua fuga, e Sylvia deixa seu apartamento para reencontrá-lo. Um executivo da emissora ordena o fim da transmissão. Com o programa chegando ao fim, os antigos telespectadores de Truman procuram outra coisa para assistir.

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