Hora do Massacre: Quando o Terror Encontra a Política
Filmes de sobrevivência frequentemente se concentram no entretenimento, oferecendo ao público uma dose de adrenalina e suspense. O gênero costuma explorar becos sem saída, nos quais personagens lutam para sobreviver em situações extremas. Nesse contexto, obras como “Escape Room,” “O Homem nas Trevas,” “Casamento Sangrento” e a icônica saga “Jogos Mortais” se destacam por sua violência visceral e sustos ocasionais.
No entanto, “Hora do Massacre,” dirigido pelo coletivo de diretores RKSS, ousa ir além. O filme começa com um grupo de ativistas ambientais invadindo uma loja de móveis após o fechamento. Assim como os ativistas que vandalizam pinturas em museus, esse grupo deseja deixar sua marca nas paredes, expressando suas mensagens e reivindicações. Porém, o vigia da loja percebe a intrusão e inicia uma caçada implacável.
O interessante é que “Hora do Massacre” não se contenta apenas com o slasher convencional. Embora acompanhe o vigia sádico matando jovens em uma dança macabra, o filme também lança um olhar crítico sobre os próprios ativistas. A política emerge inevitavelmente: como lidar com a tensão entre protesto e violência? Como desenvolver as ideias que surgem quando essa situação é estabelecida?
O coletivo de diretores tenta elevar o gênero, inserindo camadas de significado além da mera diversão. Isso nos lembra do subestimado “A Caçada” (2020), que usou a trama de sobrevivência para explorar questões de meritocracia e estratificação social. No entanto, “Hora do Massacre” enfrenta um desafio: como manter essa profundidade ao longo do filme, indo além do seu início promissor?
O ativismo dos personagens, que são caçados pelo vigia, perde relevância conforme o filme não desenvolve absolutamente nada da personalidade desse grupo. É como se fosse uma massa amorfa sendo caçada, perseguida, violentada. Nas tentativas de criar uma narrativa paralela para trazer algum interesse no passado desses personagens, o filme acaba caindo num tom cansado – o título original Wake Up (“acorde”, em tradução livre), passa a ter outro significado enquanto o público luta para ficar acordado nesses momentos sem força e vida.
Muitos podem argumentar, nesse ponto, que slashers geralmente são feitos de personagens bobos, juvenis e ingênuos. A graça fica com o vilão. Lembramos menos dos heróis e mais de Ghostface, Jason, Freddy Krueger e até de Michael Myers, apesar de Jamie Lee Curtis. Mas nem nisso Hora do Massacre, um slasher com medo de se assumir, consegue produzir. O tal vigia, vivido por Turlough Convery (Belfast), não tem uma história distinguível, não é crível e, pior de tudo, é mal interpretado pelo ator pouco experiente.
Assim, enquanto o terror e a política se entrelaçam na tela, cabe ao público decidir se “Hora do Massacre” alcança seu objetivo ou se, como os personagens encurralados, fica preso em seus próprios becos sem saída. 🎬🔪
Um grupo de jovens ativistas decide fazer uma declaração ambiental ao vandalizar uma superloja de móveis. Mas o plano deles dá errado quando ficam presos lá dentro e precisam enfrentar um guarda de segurança enlouquecido com uma terrível fixação pela caça primitiva.