A psicologia financeira: lições atemporais sobre fortuna, ganância e felicidade – Resenha

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A Psicologia Financeira é dividida em 20 capítulos, e em 18 deles, Housel descreve as características mais importantes e, muitas vezes, contraintuitivas da psicologia financeira.

 

A forma como lidamos com o dinheiro ― finanças pessoais, investimentos, decisões de negócios ― costuma ser explicada como um campo puramente matemático, no qual dados e fórmulas nos dizem o que fazer. A verdade, porém, é que grandes decisões monetárias não são tomadas diante de uma planilha, mas durante jantares com a família e reuniões com os colegas de trabalho. Além disso, cada decisão é um reflexo da história pessoal e das dificuldades enfrentadas pelo indivíduo que a tomou.Abordando a gestão financeira de maneira inédita, Morgan Housel apresenta casos de sucessos e fracassos que demonstram a importância do fator psicológico nas finanças, oferecendo aprendizados para administrar e fazer o dinheiro render em busca do maior objetivo de todos nós: a felicidade.

O que a obra de Morgan Housel nos ensina, é que o sucesso financeiro tem muito mais a ver com comportamento do que com inteligência. Assim, pessoas geniais em suas áreas de atuação podem ter grandes problemas financeiros, e pessoas comuns sem qualquer educação financeira podem alcançar a riqueza. Este último caso é exemplificado por Morgan Housel com a história de Ronald James Read, um faxineiro e frentista que acumulou mais de 8 milhões de dólares até sua morte.

Para o autor os individuos precisam ser convencidos a guardar dinheiro. A partir de um determinado nível de renda, nos encaixamos em 3 possíveis grupos: os que guardam dinheiro; os que acham que não conseguem fazer isso; e os que acham que não precisam fazer isso.

Nomes como Hitler, Stalin, Mao Tse Tung, Gavrilo Princip, Thomas Edison, Bill Gates, Martin Luther King, nasceram em meio a quinze bilhões de pessoas, entre os séculos XIX e XX. Mas se, desses quinze bilhões de pessoas, apenas essas 7 não tivessem existido, tudo estaria diferente hoje. Desta forma e com mais exemplos interessantes, o autor demonstra que entender que o futuro pode não se parecer nada com o passado, é um tipo de habilidade fundamental nas finanças, e ainda pouco apreciada pela comunidade.

As bolhas financeiras são tidas como acontecimentos derivados da ganância das pessoas. Segundo Housel, porém, culpar a ganância, nestes casos, é ignorar lições importantes sobre a racionalidade em nossas decisões. Estas acontecem, frequentemente, por aceitarmos sugestões de outros investidores que estão jogando um jogo diferente do nosso.

O pessimismo nos parece mais esperto, nos cativa, e é recebido com mais atenção do que o otimismo. Por isso a indústria de conteúdo sobre investimentos está sempre repleta de “profetas da desgraça”, segundo o autor. A grande lição deste capítulo de A Psicologia Financeira é que precisamos procurar saber quais são as razões do pessimismo, antes de assumirmos essa postura, pois ela pode nos levar a não aproveitar boas oportunidades que batem a nossa porta.

Na parte final do livro, o autor analisa o comportamento do consumidor americano, especialmente no período pós guerra até os dias atuais. No pós guerra, os Estados Unidos cresceram consideravelmente, e todas as classes sociais puderam participar deste, em proporções bem parecidas. Tempos depois, os americanos, mal acostumados com a igualdade de condições, se esforçaram para manter o status quo, isto é, os mais pobres tentaram manter um padrão de vida próximo ao dos mais ricos, pois haviam vivenciado isso por muito tempo. Por fim, todos eles se desfazem de suas economias e se endividam, enquanto o panorama moderno tendia ao crescimento da desigualdade social, como é atualmente.

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