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Trolls 2 (2021) – Crítica

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 Trolls World Tour (Trolls 2) é um filme de animação de comédia musical estadunidense, produzida por DreamWorks, em 2020, dirigida por David P. Smith e Walt Dohrn.

Devido à pandemia de COVID-19, o filme foi lançado nos Estados Unidos, Rússia, Singapura e Malásia em 10 de abril de 2020 apenas para as plataformas digitais dos países citados. O filme terá um lançamento mundial nos cinemas em breve.

A rainha Poppy e Branch fazem uma descoberta surpreendente: Há outros mundos Troll além do seu, e suas diferenças criam grandes confrontos entre essas diversas tribos. Quando uma ameaça misteriosa coloca todos os Trolls do país em perigo, Poppy, Branch e seu grupo de amigos devem embarcar em uma jornada épica para criar harmonia entre os Trolls rivais e uní-los contra um mal maior.

 

O primeiro Trolls provou-se surpreendentemente maduro e absolutamente comunicativo com qualquer geração. Uma animação contagiante que levava a obviedade de sua mensagem sobre felicidade para as diretrizes modificadoras do universo infantil proposto, instabilizando de acordo com a musicalidade colorida. Essa continuação vai assumir isso mais explicitamente, dividindo as “espécies” de trolls por gêneros musicais e propondo uma nova unificação de diferentes povos, desta vez até mais complicada se tratando de uma separação literalmente dada por “gostos” diferentes.

No longa, os Trolls descobrem que existem outros reinos além dos deles, e essa alegria e fofurice dos bichinhos cantores será atrapalhada por uma vilã, a troll roqueira chamada Rainha Barb (voz de Rachel Bloom no original) que quer acabar com todos os ritmos musicais e fazer com que todos os reinos só escutem um ritmo, o Rock pesado. E assim, no meio dessa jornada do bem e do mal clássica, Trolls 2 ajuda a passar uma mensagem sobre diversidade e saber reconhecer nossas diferenças para os pequenos muito bacana e positiva. Sim, Trolls 2 é para os baixinhos, e deve agradar mais esse público alvo, que deverá se divertir mais com personagens pulando na tela e cantando do que qualquer outra coisa, afinal, a trama é costurada e inflada para que a cada poucos minutos apareça algum tipo de reviravolta e uma grande número musical para prender a atenção dos espectadores.

E nesse meio tempo, Trolls 2 aproveita para tacar glitter, muita cor e luzes fortes para contar a nova aventura da jovem Rainha Poppy (voz de Anna Kendrick no original e de Jullie na versão dublada) e seu amigo Tronco (Justin Timberlake no original, e do ator Hugo Bonemer na versão dublada) que resolvem embarcam em uma viagem por todos os reinos dos Trolls, dos mais variados gêneros musicais possíveis, na busca por reunir todas as tribos e o que acaba por fazer de Trolls 2 ser uma grande turnê musical.

O filme é um espetáculo. A imagem é épica e colorida, repleta de texturas e criatividade. A trilha sonora é ótima, a inserção de personagens é bem positiva e não deixa muito a desejar. O roteiro é maravilhoso e entretém tanto crianças como adultos, com um único defeito , que me fez reduzir a nota, a retratação do rock de maneira estereotipada e preconceituosa, enfraquece a mensagem dos filmes de se desprender de padrões e liberdade para se fazer o quiser .

O discurso pela obviedade está presente novamente, o início maniqueísta, apesar de lidar com mais polos – seis gêneros musicais distintos – basicamente utilizará as mesmas regras estruturais para a crescente dos ensinamentos morais. Levanta conceitos caricatos para aos poucos ir se desvirtuando deles numa caricatura crítica de si mesma, que vai propor naturalmente através de choques culturais, nesse caso, musicais encaminhando a quebra de diferentes tradicionalismos. No caso, a caricatura principal escolhida é o rock, um antagonismo no mínimo curioso, embora no início caia em terrenos um tanto preconceituosos, como se o discurso segregacionista da vilã, que acredita no rock como a única música de verdade e quer transformar o gosto de todos, fosse um desejo retraído do estilo na modernidade pela falta de espaço mainstream no cenário da música mundial.

Nesta aventura, um novo mundo se abre diante dos olhos da princesa Poppy (Anna Kendrick, dublada por Jullie), que descobre que seu condado não é o único lugar no mundo onde há trolls: há outras regiões e lá existem trolls diferentes daqueles que ela conhece. E a música pop não é a única no mundo: há outros tipos de música, e cada um desses trolls desconhecidos cantam e dançam um ritmo diferente – rock, country music, clássica, funk, techno –, sendo que cada região guarda uma corda musical. De olho nisso, a Rainha Barb (Rachel Bloom) elabora um plano para roubar todas as cordas musicais para fazer o rock prevalecer, por isso Poppy, Tronco (Justin Timberlake, dublada por Hugo Bonemer, apresentador do canal Like) e sua turma partirão numa aventura para tentar unir os povos trolls de uma vez por todas.

Em visual, isso fica mais evidente, enquanto os outros estilos parecem ter uma pluralidade maior de variações de design, os roqueiros ficam num mesmo tom, algo incoerente seguindo a trilha da transformação do filme, tornando-a mais óbvia que antes, embora graficamente falando, o pulo de 4 anos faça uma enorme diferença na qualidade das composições de cada personagem. Lógico, é uma liberdade tomada para as decisões de humor, e o time de dublagem transparece estar se divertindo com essa justaposição de arquétipos dada a linguagem ainda mais infantil. Não deliberadamente, afinal não são sobre contrastes fortes de personalidade, mas como dito, de gostos, por mais que aquele gosto a princípio seja a essência do ser da cultura troll, no exercício de unificação é algo íntegro a ser desconstruído ao longo do filme.

O campo técnico, entretanto, permanece impecável em ‘Trolls 2’. O longa já começa com uma sequência animadíssima, uma explosão de cores e sensações que faz a gente se sentir novamente numa grande festa, seguida por um pour pourri de várias canções conhecidas do público. Há sequências de ação tais quais em videogames, efeitos visuais deslumbrantes e um desfile de tons vibrantes na tela totalmente hipnotizantes. Ficou faltando, porém, uma música-tema forte, que, no filme original fez tanto sucesso.

O que por um lado é frustrante, pois o universo ali permitiria um amplo e representativo estudo dos conflitos gerado ao longo da história da música, algo que acontece em tom de brincadeira e descompromisso, mas que poderia ser mais extrapolado em piadas visuais, ao invés de apenas verbais autoexplicativas. Contudo, esses problemas não invalidam a eficácia da criatividade de inserção dos novos elementos. É uma continuação que agrega de fato, uma universalização de seus arredores, aumentando o poder comunicativo, principalmente por poder explorar mais a psicologia das cores como forma de conversação junto à música. Assim como no primeiro, a playlist é toda baseada em canções preexistentes, contudo elas não são escolhidas para narrar a história, pelo contrário, a trama parece seguir o que dizem as músicas propositalmente para consumar o humor e sobretudo as mensagens edificadoras.

‘Trolls 2’ é um filme esteticamente lindo, animado, com uma historinha meio perdida, mas que definitivamente entretém a pimpolhada. Tem até participação do Ozzy Osbourne dublando originalmente o (adivinhem!) Rei do Rock! Vale a pena ver isso, né?

Conclusão é que esse exercício criativo não possui exatamente um limite, ele respeita seu local e se compromete bastante com o público-alvo que deseja, o que garante cativar da mesma e de mais formas. Verdade que sem o mesmo charme ou bônus do elemento surpresa do primeiro filme, mas é um mais do mesmo muito bom de se ver.

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