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O Poderoso Chefinho 2 – Negócios da Família (2021) – Crítica

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 The Boss Baby: Family Business (O Poderoso Chefinho 2 – Negócios da Família) é um filme 3D de animação digital de comédia estadunidense vagamente baseado no livro de imagens de 2010 com o mesmo nome de Marla Frazee, produzido pela DreamWorks Animation e distribuído pela Universal Pictures. Servindo como uma sequência do filme de 2017, o filme foi dirigido por Tom McGrath, a partir de um roteiro escrito por Michael McCullers e com uma história de McGrath e McCullers, e estrelado por Alec Baldwin como personagem-título, ao lado de James Marsden, Amy Sedaris, Ariana Greenblatt, Eva Longoria, Jimmy Kimmel, Lisa Kudrow e Jeff Goldblum. O filme foi lançado nos cinemas dos Estados Unidos em 2 de Julho de 2021, pela Universal Pictures.

 

Na sequência da comédia de sucesso de bilheteria e indicada ao Oscar® da DreamWorks Animation, os irmãos Templeton – Tim (James Marsden) e seu irmãozinho Chefinho Ted (Alec Baldwin), tornaram-se adultos e se afastaram um do outro. Tim agora é um pai casado. Ted é CEO de um fundo de cobertura. Mas um novo chefe com uma abordagem de vanguarda e uma atitude positiva está prestes a reuni-los novamente… e inspirar uma nova empresa familiar.

Tim e sua esposa, Carol (Eva Longoria) vivem nos subúrbios com sua filha superinteligente de 7 anos, Tabitha (Ariana Greenblatt) e sua nova irmã super fofa, Tina (Amy Sedaris). Tabitha, que é a primeira de sua classe no prestigioso Acorn Center for Advanced Childhood, idolatra seu tio Ted e quer se tornar como ele, mas Tim teme que ela esteja trabalhando demais e esteja perdendo uma infância normal.

Quando a bebê Tina revela que ela é uma agente ultrassecreta da BabyCorp em uma missão para descobrir os segredos obscuros por trás da escola de Tabitha e seu misterioso fundador, Dr. Armstrong (Jeff Goldblum), ela reunirá os irmãos Templeton de forma inesperada, levando-os a reavaliar o significado de família e descobrir o que realmente importa.

Para se entender alguns argumentos sobre o porquê dessa sequência produzida pela Dreamworks ter sua parcela de qualidade é preciso um pouco de imaginação, assim como o Tim timing citado no filme, quando o protagonista tem seus momentos fora do ar para compreender um conflito da história.

O primeiro Boss Baby , lançado em 2017, tem uma premissa ao mesmo tempo insana e perturbadora: um garoto de sete anos chamado Tim descobre que seu novo irmão é um minúsculo executivo que trabalha para a Baby Corp, onde … bebês são fabricados? E os bebês estão preocupados com que os cachorros sejam fofinhos demais e os tornem extintos? Você poderia caridosamente interpretar seu enredo bizarro como a fantasia de um menino com medo de perder o afeto dos pais. A sequência não oferece tal interpretação. É simplesmente uma torrente de loucura.

Imagine um desafio de escolher duas portas para dois caminhos diferentes. Um é puramente lúdico e pueril e outro extremamente maduro e adulto. Dependendo do seu momento, da expectativa do futuro e de sua personalidade, ou seja, numa dinâmica de curto e longo prazo, a escolha fica difícil, ou no mínimo demorada. O ponto é que O Poderoso Chefinho 2, desde a concepção de um bebê de terno e com missões empresariais pela família (ideia do primeiro filme) à noção narrativa de tratar da irmandade e da paternidade simultaneamente provoca-se esse mesmo desafio das portas das mais amplas maneiras, não apenas com duas setas, e sim vários vértices. Por mais que seja comum as sequências, especialmente filmes que usam o algarismo no título, inchem suas tramas, principalmente em duplas, a graça, ou melhor, os atalhos que o diretor Tom McGrath encontra para evitar cisões dramáticas e sim tranquilidade de resoluções é digno de uma imaginação lúdica e madura de produção.

Décadas depois, Tim ( James Marsden ) é agora um pai – um carente que se sente rejeitado quando sua filha mais velha, Tabitha (Ariana Greenblatt), faz o dever de casa. Tim perdeu contato com seu irmão mais novo, Ted ( Alec Baldwin ), que ainda é um chefe, mas não é mais um bebê. A filha mais nova de Tim, Tina ( Amy Sedaris ), revela que é funcionária da Baby Corp e precisa da ajuda de sua família para frustrar uma trama do misterioso Dr. Erwin Armstrong ( Jeff Goldblum ), que dirige a escola que Tabitha frequenta. A missão exigirá que Tim e Ted voltem a ser crianças.

A cisão dramática mais óbvia que poderia acontecer, diluindo duas partes, seria a trama dos irmãos Ted (Alec Baldwin) e Tim (James Marsden), herdada do primeiro longa-metragem na omissão do que aconteceu no espaço de tempo entre o primeiro filme e a sequência, e a nova trama de paternidade entre Tim e sua filha Tabitha, que coloca o filho orgulhoso do primeiro filme como pai orgulhoso. Mesmo que a famosa rapidez de execução narrativa espalhada pela produtora Illumination nas demais animações de hollywoodianas em si, torne ambas tramas eufemizadas e aceleradas por si, o exercício de montagem alternada bem feito preserva a linguagem mental de crianças da geração Z enquanto mantém uma coesão lógica para que os assuntos maduros tem seus espaços dramáticos não sufocantes, além de quebra de expectativas.

Quase todo desenvolvimento de trama levanta a questão: Por quê? Por que existe uma empresa secreta de bebês? Por que está nas nuvens? Por que Armstrong começou uma escola inteira quando seu enredo requer apenas conexão com a internet? Por que Tina não tem permissão para fazer nada além de enviar meninos para fazer as coisas perigosas, e essa é uma ótima mensagem? Por que o despertador de Tim é sensível? Por que existem bebês ninja? Não há respostas.

De fato não há nada aparente no filme que surte grandes primeiras impressões, nem para um impacto dramático profundo que desacelere o filme para que os irmãos Tim e Ted se reconciliem, nem mesmo um melodrama visual da filha não ver o pai na sua apresentação na escola. Descrevendo-se assim é uma obra medíocre, mas retomando a ideia da montagem paralela, a qualidade disso está na capacidade de escolha do diretor e seus dois montadores conseguirem usar a aceleração Illumination em favor de várias possibilidades surgirem sem soarem deus ex machina ou forçadas, muito menos ilógicas e muito convenientes para resoluções num ato final.

Se com a celeridade o drama não tem tempo de impressionar o espectador, apenas de manter coeso na dinâmica rápida da franquia O Poderoso Chefinho e abrangência lúdica, nem a comédia de referências cinematográficas de ninjas e criança assustadora, muito menos as resoluções factíveis, como a de vencer o vilão “neoliberal” dono de escolas globais que valorizam concorrência e excessivo foco no mercado educativo, não a família, sofrem de estranhamento. O desafio citado dos caminhos e das portas, dentro de um esquema horizontal de acompanhar a história de O Poderoso Chefinho 2, está envolvido nisso, no chamado equilíbrio morno da experiência com a animação agitada, até mesmo para controlar o escopo maior de trabalhar com a dinâmica infantil dos dois irmãos Tim e Ted em paralelo à história mais madura quanto a Tim se desenvolver como pai. Porém, a sugestão de imaginação quanto aos dois caminhos, o pueril e o adulto, serve ainda mais para o esquema vertical de como se pode assistir e captar as temáticas e formas.

Não há problema com a surrealidade, especialmente em um filme infantil – veja o filme Lego – mas o diretor Tom McGrath não constrói nenhuma lógica interna para manter sua história unida e não tem nenhuma boa piada para distrair da confusão. Ele explica pouco e abandona as idéias implacavelmente. Temas sobre paternidade excessiva, trabalho muito duro e dinheiro não comprando felicidade dão em nada. Seus únicos recursos redentores são a animação atraente e a presença de Jeff Goldblum. Nada é totalmente impossível de assistir se incluir Jeff Goldblum. Mas está muito perto.

Apesar do primeiro O Poderoso Chefinho já consistir num tema problematizante quanto as ironias, às vezes levado a sério mesmo, que os cachorros tem substituído as crianças nos lares de famílias, com uma natalidade talvez menor em parte por essa justificativa, essa sequência foge desse conflito ambíguo, focando em algo parte da estrutura da família que é a economia doméstica e a as realizações monetárias que tem surgido cada vez mais cedo. Essa temática contemporânea de crianças mais capitalistas e super inteligentes, no entanto, mesmo perdendo a ambiguidade, ganha em capilaridade e enraizamento até onde e de onde começa esse dito problema.

Dessa maneira, não há um culpado ou inocente, o que de certa forma harmoniza bem com a mediocridade de se assistir à história dos irmãos Tim e Ted numa missão pela Babycorp, de novo, por uma chefe diferente, agora filha de Tim, contra uma rede de escolas que querem excluir os pais da educação dos filhos. Soa engraçado como lendo essa premissa soa até uma boa problematização, mas não combinaria em nada com a base pueril da animação, a até mesmo seguindo a linha de produção do primeiro filme. Toda superfície de missões e empresas são impulsos que Michael McCullers escreve no roteiro, dinâmicas conhecidas, mas o trunfo é a história, o argumento de Michael e do próprio Tom McGrath que fala da mente de um pai, a mente imaginativa e infantil de Tim que cria sua própria narrativa como melhor pai, adulto.

E, honestamente, parabéns ao diretor Tom McGrath por duas vezes ter conseguido atingir todos os ritmos infantis padrão com um conceito tão insano. Para um filme com a premissa de uma piada, o “Boss Baby” original na verdade tinha um enredo bastante complicado, no qual um conflito de rivalidade entre um menino de sete anos e seu irmão menor é complicado pelo fato de que o bebê em questão, Ted (Baldwin), é na verdade um agente secreto do todo-poderoso conglomerado Baby Corp., equipado com uma fórmula especial e chupeta, e enviado em uma missão de reconhecimento para derrubar o Big Puppy. Perdendo quase um minuto de seu tempo de execução de quase duas horas atualizando os recém-chegados na maior tradição do Boss Baby, “Family Business” mergulha de cabeça em um enredo que não é menos denso.

Agora um adulto com seus próprios filhos, o protagonista de “Boss Baby” Tim (James Marsden) se afastou de seu irmão mais novo, agora um Boss Man poderoso e ocupado, sem nenhuma memória de sua infância incomum. (Se o primeiro filme convidou paralelos a Donald Trump em grande parte devido às impressões regulares de Baldwin em “SNL”, aqui o personagem adulto de Baldwin parece conscientemente modelado na estética pré-política do ex-presidente desgraçado.) A filha mais velha de Tim, Tabitha (Ariana Greenblatt), tem ficado cada vez mais envergonhada de seu pai pateta que fica em casa, enquanto se torna obcecada por estudar e tem adoração por seu tio chefe bem-sucedido. Sua caçula, Tina, parece ser apenas um bebê normal, então não é nenhuma surpresa quando uma noite ela se revela uma agente da Baby Corp., trocando seu macacão por um terno e gravata,

Como Tina explica, seus chefes bebês na matriz a enviaram para reunir Tim e Ted para investigar o diretor da escola particular obcecada por competições de Tabitha, um tecnocrata delicado chamado Dr. Armstrong (Jeff Goldblum). Primeiro, ela encolhe os dois de volta às suas idades no filme original – Tim um estudante primário, Ted um bebê – e depois os manda para a escola, onde Tim torna-se amigo de sua própria filha disfarçado de novo colega de classe , e Ted é forçado a reunir seus companheiros bebês para fugir do berçário.

Esse drama mais implícito em meio ao explícito acelerado – por isso uma visão mais vertical do filme – que até se torna uma estátua no final do filme que Ted dá para Tim, é sobre como não há muita escolha, em verdade, qual caminho e qual porta se escolhe entre o infantil e o adulto em determinados momentos. Pode-se atentar que as paradas do filme, ou melhor, o que se causa estranheza no acompanhar do filme são as imaginações de Tim, ou quando ele faz sua filha adentrar nessa ideia para entender de novo a porta pueril, mesmo ela sendo uma criança, como um pai maduro. Essas paradas são os momentos mais oníricos de O Poderoso Chefinho 2, por isso uma junção de diferenciação formal e temática, mudando até o estilo comum que se pincela a narrativa. E é nisso que o filme ganha, perpassa o medíocre e concretiza bem seu conflito sobre como a família e os papéis familiares tem se tornado labor, trabalho, enquanto valoriza os termos comerciais, como a palavra contrato, para desenvolver a relação dos irmãos Tim e Ted.

Para complicar ainda mais a tradição já indecifrável do primeiro filme, The Boss Baby 2: Family Business é bonito de se ver, mas sem graça, pouco envolvente e ininteligível. Que cresça logo. Assim, O Poderoso Chefinho 2 foge de ironias temáticas do primeiro filme e usa bem referências do cinema, como a Dreamworks sempre fez, com tramas paralelas para suprir a comédia dessas antigas ironias. Além disso, é mais incisivo em seu discurso sobre a imaginação e a concretização de como criança precisa ser infantil e o adulto precisa ser maduro. Da mesma forma, não é inocente de maneira negativa em não entender como o mundo comercial invade as relações familiares contemporâneas, assim como entende que nisso não há uma culpa paterna, nem mesmo da escola para tais negociações domésticas.

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