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Far Cry 6 (PC) – Análise

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 Far Cry 6 é um jogo eletrônico de tiro em primeira pessoa desenvolvido pela Ubisoft Toronto e publicado pela Ubisoft. É o sexto título principal da série Far Cry e foi lançado em 7 de outubro de 2021 para Amazon Luna, Google Stadia, Microsoft Windows, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One e Xbox Series X/S.

O jogo se passa em uma ilha fictícia do Caribe chamada “Yara”, inspirada em Cuba, governada por uma ditadura do “El Presidente” Anton Castillo (dublado e modelado por Giancarlo Esposito), que está criando seu filho Diego (dublado por Anthony Gonzalez), para seguir seu governo. O jogador assume o papel de um guerrilheiro tentando recuperar a ilha para seu povo.

A última parcela transporta a série de grande orçamento para a ilha fictícia de Yara, que definitivamente não é Cuba, apesar de sua arquitetura colonial, carros clássicos e sanções dos EUA. Décadas de pobreza viram o país se unir atrás de Antón Castillo (interpretado pelo vilão de Breaking Bad Giancarlo Esposito), o mais recente líder carismático a prometer tempos melhores. Mas quando ele se revelar mais escravizador do que salvador, é hora de mais uma revolução. Entra Dani Rojas, um herói local liderando um cativante, embora caótico, bando de guerrilheiros em uma luta para libertar sua ilha.

Após a revolução de 1967, que, no jogo, levou Santos Espinosa ao poder, um grande bloqueio comercial afetou a economia da ilha por anos. Com sua morte, houve uma eleição presidencial, onde Antón Castillo, filho do líder deposto por Espinosa, foi eleito.

Até agora, até Far Cry. É uma fórmula que a Ubisoft aperfeiçoou e não há como negar que funciona; a alegria do enorme mapa de mundo aberto de Yara, apenas esperando para ser metodicamente conquistado, ainda é tão potente como sempre. Mergulhe, no entanto, e rapidamente se torna evidente que Far Cry 6 realmente se baseia em sua receita testada e comprovada, refinando coisas que antes impediam a série.

Estranhamente, a resignação dos ilhéus com suas perspectivas sombrias de longo prazo ajuda a superar a dissonância tonal entre a futilidade da guerra e a diversão dos lança-chamas – com um futuro incerto pela frente, fica claro que Dani decidiu se divertir, dando-lhe permissão para faça o mesmo.

A trama começa bem clara, mas conforme você vai jogando, parece que o roteiro e, principalmente, as motivações dos personagens vão se enrolando um pouco. Dani é capaz de convencer e ser convencida com facilidade, e também confia e desconfia de personagens sem muito padrão definido. Tudo bem, tem licença poética para tudo, mas talvez a Ubisoft tenha tido a intenção de colocar muitas referências e muitas sub-histórias sem conseguir amarrar isso tudo muito bem. É um ponto negativo? Eu diria que não muito: a motivação principal, de controlar a ilha e acabar com o Ánton, continua sempre presente.

Em outro desvio da forma, não existe um vilão extravagantemente excêntrico. Em vez disso, Esposito oferece uma performance deliciosamente cruel e composta como o mais recente tirano de Yara. Seu regime também o reflete, com um exército muito mais eficiente e estratégico do que vimos antes. Isso significa que os encontros com o inimigo exigem um pouco mais de consideração: a adição de médicos, que podem prevenir mortes e reviver seus companheiros, bem como soldados lutando para erguer torres de armas ou chamar reforços, requer que você reserve um momento para avaliar cada confronto.

Se o cansaço da decisão atacar, Yara é um belo lugar para relaxar, ditadores à parte. Excepcionalmente para a série, você não caiu de paraquedas neste lugar, e o status local de Dani faz com que a ilha tropical pareça seu playground pessoal, esteja você pescando, rastreando animais míticos ou participando de uma caça ao tesouro. No entanto, há muito a oferecer, então você precisará chegar no tempo da ilha se quiser evitar se sentir sobrecarregado. Não há uma linha de chegada clara aqui.

Isso parece uma visão muito mais honesta do que Far Cry é para a maioria das pessoas: uma caixa de brinquedos alegre e caótica. Há espaço para melhorias – a representação questionável da América Latina, para começar – mas não há dúvida de que isso é um despertar para a série, explorando ideias que estou animado para ver refinadas nas próximas iterações. Em particular, acabar com a complicada pretensão de salvação política deixa você livre para escolher sua própria aventura, seja derrubar Castillo ou apenas ser coroado campeão do Gran Primo. Assim como Yara, Far Cry 6 está repleto de potencial – você só precisa dar um passo à frente e moldá-lo.

Recolhendo urânio empobrecido, o jogador pode adquirir novos tipos de armas, que vão desde as tradicionais metralhadoras, rifles de precisão e escopetas até as mais complexas chamadas “armas de gambiarra”, como o Tostador, que é um lança-chamas que consegue atingir inimigos a uma distância até considerável, e a La Clavadora, com um projétil comprido que literalmente empala os soldados. Além disso, o jogador dispõe de uma habilidade especial, o Supremo, e que também tem algumas opções, como uma série de foguetes lançados ao ar e que conseguem derrubar helicópteros, e um gás que faz os inimigos se enfrentarem.

Depois de uma certa missão no modo campanha o game libera o modo cooperativo, que me surpreendeu muito positivamente nos detalhes. Quando rola uma cutscene, ela só pode ser pulada se os dois jogadores aceitarem. Há a possibilidade do seu companheiro entrar e sair do jogo a qualquer momento, então se você estiver jogando e seu amigo precisar sair, o progresso não será perdido porque você continua sozinho na missão. Se um jogador está mais a frente na campanha e ele hospeda a partida, o outro pode até tomar spoilers porém não terá sua campanha sabotada (ele volta de onde parou depois). Fica aqui o adendo de que o cooperativo não é entre plataformas, então jogadores de Xbox e PlayStation ficam restritos ao coop em suas respectivas linhas de consoles, mesmo entre gerações diferentes.

O jogador vive a Yara de Castillo, totalmente tomada pelo militarismo e com diversas práticas nacionalistas. Além disso, há claras características fascistas, como o discurso falando aos “verdadeiros yaranos”, uso de argumentos anticomunistas rasos para pôr medo na população e falsas vitórias proclamadas pelas comunicações oficiais.

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