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Far Cry 5 (PC) – Análise

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Far Cry 5 é um jogo eletrônico de tiro em primeira pessoa de ação-aventura ambientado em um mundo aberto. Foi desenvolvido pela Ubisoft Montreal e publicado pela Ubisoft para Microsoft Windows, PlayStation 4 e Xbox One em 27 de março de 2018 e foi lançado no 3 de Novembro para o Google Stadia, junto com o Far Cry: New Dawn. É o décimo titulo da serie Far Cry e o quinto jogo principal. Far Cry 5 se tornou o jogo mais vendido da franquia, passando a marca de Far Cry 4. É também o segundo título mais vendável da Ubisoft, atrás de Tom Clancy’s The Division, angariando US$ 310 milhões de dólares da sua primeira semana de vendas.

O jogo é ambientado na fictícia Hope Country, Montana, Estados Unidos, onde um pregador cristão chamado Joseph Seed alcançou proeminência. Seed acredita que ele foi escolhido para proteger o povo de Hope County de um “colapso inevitável” e estabeleceu uma congregação chamada Projeto do Portão do Éden. Ostensivamente, isto é para cumprir sua missão de levar o povo à salvação; na realidade, Seed é um pregador radical e o Portão do Éden é um culto apocalíptico militarista. Sob seu governo, o Portão usou tanto a coerção como a violência para converter à força os residentes de Hope County e a intimidação para impedi-los de entrar em contato com o mundo exterior em busca de ajuda. Quando uma tentativa de prender Joseph termina com a morte de vários homens da lei, o jogador é arrastado para o conflito armado entre o Portão do Éden e os residentes restantes de Hope County, que estão se organizando em um movimento de resistência.

 

Como nem todos estão satisfeitos com o crescimento do alcance desse culto, alguns cidadãos montam uma resistência para enfrentá-lo. Não se trata, exatamente, de heróis. São apenas pessoas revoltadas com a ameaça iminente ao seu estilo de vida, já que o culto não se contenta com os próprios integrantes e acredita, equivocadamente, estar incumbido da tarefa de salvar a todos, como se eles soubessem de alguma verdade inquestionável.

O jogador assume o papel de um ajudante de xerife que faz parte da força-tarefa enviada à Hope County para prender Seed. Joseph assumiu o título de “O Pai” e mantém o controle sobre Hope County com a ajuda de seus irmãos, conhecidos como “Os Arautos”: Jacob, um ex-oficial militar que supervisiona seus soldados armados; John, um advogado que foi capaz de adquirir grande parte das terras de Hope County para o Portão do Éden; e Faith, que age como uma pacifista para levar as pessoas a acreditar e confiar em seu irmão mais velho. Os residentes de Hope County, que se opõem à Seed, incluem um elenco de personagens que se juntam à luta com motivos que vão do altruísmo à vingança, lucro e tédio.

Mas não só os vilões têm espaço na trama. Os aliados também têm papéis fundamentais no desenrolar de toda a história e colaboram para criar um clima onde você se sente obrigado a ajudar cada um diante de tudo que Seed fez (e faz). Pena que o(a) protagonista não traz um diálogo próprio, criando sua personalidade apenas em cima de suas consequências.

Muitos questionam o fato de Far Cry 5 carregar uma mecânica quase inalterada por seus últimos games. Por mais que os jogos de mundo aberto sejam um dos mais atrativos da atual geração, é preciso ter uma diferenciação tanto de seus títulos anteriores como de concorrentes que bebem na mesma fonte.

A aposta da Ubisoft foi manter boa parte do que agradou em Far Cry 3 e 4, com inovações inseridas de uma forma calculada e não tão revolucionárias. Por exemplo, ainda é possível gastar um bom tempo caçando animais pela floresta. Mas, no novo game, o jogador pode também optar por atividades mais complexas de pesca, ou até mesmo usar alguns felinos como companheiros.

Em Far Cry 5, um culto religioso (que claramente usa o cristianismo como alegoria, embora não chegue a se referir especificamente a esta religião em nenhum momento) tomou o controle de Hope County, um isolado município no estado norte-americano de Montana.

É muito fácil saber quando você sai do território de um dos Seed e entra no de outro. As paisagens são completamente diferentes ao norte, sul e leste, sendo a região central a única menos charmosa. Ao norte, por exemplo, você vai passar boa parte do tempo escalando montanhas ou voando de helicóptero, já que é o método mais rápido de locomoção. Ao sul, por outro lado, é tudo mais horizontal, e mover-se de missão para missão acaba sendo mais fácil a pé ou de carro. Essa variedade torna mais realista a construção do mapa, que possui divisões autênticas, em vez de parecer uma grande repetição de padrões.

Os primeiros minutos, nos quais você, um adjunto do xerife, e um grupo de agentes da lei, tentam prender Seed mas são confrontados pelos membros do culto, tão devotos a ponto de se jogar nas hélices de um helicóptero para evitar a fuga de seu líder, dão o tom de que a aventura vai se passar em um local aterrorizante.

Correr, atirar, saltar e dirigir em Far Cry 5 continua tão bom quanto nos outros jogos, em um refinamento natural dos jogos da franquia. A vida selvagem, embora ainda seja perigosa, não é tão vital quanto nos outros games, especialmente porque caçar não é mais algo obrigatório para progredir.

O melhor Far Cry lançado desde 2012 é o primeiro game da série que pode deixar o jogador genuinamente aterrorizado em diversos momentos. Não apenas pela constante sensação de que o fim realmente está próximo, mas também por apresentar a mentalidade doentia de uma sociedade extremamente obcecada por Deus, cujos ideais são tão destorcidos e perturbadores que poderiam ser reutilizados em um game de terror psicológico. Apesar do contexto, o gameplay é divertido e diversificado, dando ao jogador total liberdade para escolher a maneira de proceder em cada missão, de preferência acompanhado por um (ou mais) dos muitos aliados que conhecemos ao longo desta jornada — eles sim, as verdadeiras estrelas do game ao lado dos vilões.

Todas as habilidades adquiridas pelo seu personagem no modo Campanha podem ser utilizadas nos modos online, acessados via a opção Far Cry Arcade. Além de ser possível jogar a campanha inteira em co-op online, o game oferece ainda partidas entre equipes de até seis pessoas e a chance de jogar em mapas criados por outros jogadores. O editor de mapas de Far Cry 5 é extremamente complexo e rico em detalhes. Os únicos limites são os objetivos, não muito variados, e, no caso da criação de cenários, a própria imaginação do jogador. É uma pena não poder aproveitar tudo isso em um modo cooperativo local.

Assim como seu colega Assassin’s Creed Origins, Far Cry 5 também traz soluções criativas para muitos dos problemas de mundo aberto que os jogos da Ubisoft sempre tiveram. As famigeradas torres de Far Cry 3 foram deixadas de lado (agora o mapa se abre ao coletar mapas dentro do cenário), e não há mais requerimentos específicos para desbloquear novas habilidades – o sistema de pontos foi unificado e você obtém mais fazendo várias coisas dentro do mapa.

Far Cry 5 chega cumprindo praticamente tudo o que prometeu. Apesar de alguns bugs e uma fraca I.A. de seus aliados, o título traz um enredo que entretém, um modo cooperativo que cai como uma luva, e uma mecânica consagrada que ainda agrada. Mais uma vez um capítulo da franquia se torna um dos grandes candidatos a jogo do ano. No fim das contas, o jogo apenas aproveita de temas controversos para aparecer – as armas, as alegorias religiosas, as missões com alusões a polêmicas envolvendo o presidente americano Donald Trump -, mas é gritante e impossível de ignorar a inabilidade da história e de seus personagens de fazer algo significativo com todas essas imagens.

Far Cry 5 tenta se vender Hope County como uma retratação de uma sociedade, que, assim como a nossa, está à beira do caos (com direito a uma versão mambembe da mensagem final de Spec Ops: The Line nos discursos de Joseph Seed). Mas, na verdade, o local acaba se tornando mais um mundo aberto habitado por personagens que, no fundo, não tem muito a dizer.

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