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Far Cry 4 (PC) – Análise

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Far Cry 4 é um jogo eletrônico de tiro em primeira pessoa jogado em mundo aberto que foi produzido pela Ubisoft Montreal juntamente com a Ubisoft Red Storm, a Ubisoft Toronto, a Ubisoft Shanghai e a Ubisoft Kiev. É o quarto título principal da série Far Cry e foi publicado pela Ubisoft para Microsoft Windows, PlayStation 3, PlayStation 4, Xbox 360 e Xbox One no dia 18 de novembro de 2014 na América do Norte e no dia 20 de novembro nos territórios EMEA e australianos.

Em Far Cry 4 o protagonista é Ajay Ghale que regressa a Kyrat (uma nação fictícia fortemente inspirada em locais da região Himalaia do Nepal), uma zona indomável e selvagem no seu pais de origem, para espalhar as cinzas da sua falecida mãe. Uma vez lá, vê-se envolvido numa guerra civil entre os rebeldes (conhecidos como Caminho Dourado) e o regime despótico do auto-intitulado rei, o sádico Pagan Min (Troy Baker). O jogador tem a possibilidade de escolher de que lado quer juntar forças, resultando em diferentes finais.

 

O país fictício de Kyrat é um lugar de fé, segredos e belezas naturais. É também um dos cenários mais bem feitos que já explorei em um videogame. Kyrat é colossal, densa, visualmente diversa e cheia de vida. Esse é o país a ser explorado em Far Cry 4, e o jogo se aproveita deste mundo para criar uma experiência de ação e aventura incrível, apesar de falhar na criação de personagens interessantes para nos cativar.

O protagonista vazio e sem graça é prova disso. O norte-americano Ajay Ghale, filho de guerrilheiros revolucionários de Kyrat, volta às terras montanhosas de seus antepassados para espalhar as cinzas de sua mãe. É uma premissa interessante para a história do jogo, mas o herói principal não consegue manter essa ideia cativante por muito tempo.

A versatilidade é a grande força de Far Cry 4, tanto nos seus momentos de exploração quanto durante o combate. Eu escalei montanhas em busca de relíquias sagradas. Explorei os pontos mais alto dos Himalaias lutando contra o frio, a falta de oxigênio e a baixa visibilidade. Destruí bases de propaganda do governo. Apostei corridas com elefantes e caí na porrada contra tigres. Tudo isso em cenários de tirar o fôlego, mesmo nas versões mais modestas de Xbox 360 e PlayStation 3.

Adorei explorar cada cantinho de Kyrat porque sempre havia algo interessante para se fazer no meio do caminho. Na missão de libertar o povo oprimindo do governo ditatorial, tive que escalar torres imensas para descobrir novas partes do mapa. E como em Far Cry 3, esses momentos de escalada me ofereciam um profundo senso de progressão. Era uma conquista pessoal alcançar o topo de uma das torres de rádio e ver todos os novos lugares que poderia explorar.

Conquistar bases inimigas é mais desafiador e mais divertido em Far Cry 4 do que em seu antecessor. Você pode sorrateiramente desativar os alarmes da base para evitar que os inimigos peçam reforços, ou usar iscas para atrair tigres, ursos e outros animais para causar caos entre os oponentes. Mas se você acha que essas estratégias vão ser eficientes em todos os casos, cuidado: um novo tipo de inimigo pode dominar animais selvagens e é tão sorrateiro quanto você. Esses novos desafios forçam o jogador a pensar muito antes de agir. Além disso, os inimigos agora podem tentar reconquistar o território perdido, desafiando você a parar o que está fazendo e defender as bases que já conquistou.

No decorrer da jornada, o personagem acaba descobrindo que seu pai foi o fundador do Caminho Dourado, um movimento que pretende exterminar o regime ditatorial que assola a região.

A história é aparentemente mais densa do que a trama adolescente de Far Cry 3, mas a falta de carisma dos personagens subtrai o potencial da trama. No caso de Ajay, por exemplo, os diálogos que envolvem o rapaz são tão interessantes quanto ficar preso em uma fila de banco.

Curiosamente, os momentos mais interessantes da trama são interpretados por Pagan Min. O jeito sádico do vilão, aliado ao excelente trabalho de dublagem (aliás, o jogo está totalmente português), conseguiu elevar a qualidade narrativa.

A constante guerra pelo domínio de território é uma das maiores ênfases de Far Cry 4, e a imensa quantidade de variáveis nas missões de conquista ou defesa de bases forçam o jogador a lidar com situações absolutamente inesperadas. Esse é um jogo pontuado por momentos caóticos, catastróficos e absolutamente inesquecíveis — como quando tive que explodir um urso para proteger os mercenários que estavam me ajudando a conquistar uma base. Ou quando eu atirei granadas do meu helicóptero e assisti o incêndio que causei na floresta matar todos os inimigos abaixo de mim. Ou quando eu montei em um elefante, arrebentei um portão e arremessei uma caminhonete em cima de um inimigo. O que mais eu poderia querer da vida?

E tudo fica mais legal ainda quando você chama um amigo para ajudar no excelente modo cooperativo. Adicionar um outro jogador à fórmula bastante volátil do combate de Far Cry faz com que tudo vire uma bagunça muito divertida. Além disso, caso seu colega for esperto, jogar o cooperativo permite um monte de oportunidades táticas na hora de invadir uma base. Um dos jogadores pode virar o Rambo e sair explodindo tudo, chamando a atenção dos inimigos, enquanto o outro desativa alarmes e mata soldados sorrateiramente.

No lado competitivo do multiplayer, Far Cry 4 também acerta em cheio. A sensação de liberdade e a imensidão dos mapas não se perde no modo 5 x 5 do jogo, em que duas facções bem diferentes lutam por vários objetivos. A facção Golden Path é para o jogador agressivo que gosta de tiroteios, explosivos e veículos. Já os Rakshasa se aproveitam de poderes sobrenaturais de furtividade e evasão, mas só podem usar um arco-e-flecha especial com vários tipos de munição. Não deixe de experimentar o multiplayer, mesmo que você não goste muito de jogar com outras pessoas, porque ele é surpreendentemente bom.

Seguindo à risca a fórmula que consagrou Far Cry 3, o mais novo game da franquia oferece um universo imersivo e totalmente explorável, com uma diversidade étnica de encher os olhos e uma fauna que representa muito bem o sul da Ásia.

O game está recheado de cadeias montanhosas cobertas de neve, planícies constituídas por belíssimos rios (cuidado, pois eles abrigam o peixe-demônio, talvez a espécie mais trabalhosa de capturar) e florestas exuberantes.

Há uma pequena parte opcional da campanha principal que se passa na cidade perdida Shangri-La, e essas missões são tão diferentes em tom do resto do jogo que poderiam muito bem ser um pacote de expansão bizarro, como Blood Dragon foi para Far Cry 3. Os cenários psicodélicos e maravilhosos da mítica Shangri-la formam um contraste imenso com o realismo de Kyrat. O combate também muda completamente, com um enfoque em habilidades mágicas, furtividade e no uso do arco-e-flecha. É uma mudança impressionante e bastante bem-vinda naquele ritmo de tiro, porrada e bomba que é típico de Far Cry.

A parte mais fraca da história diz respeito a Pagan Min e seus tenentes. O ditador é um grande personagem, graças em parte à excelente interpretação do ator Troy Baker. Infelizmente, Pagan é muito mal utilizado ao longo da campanha. Ele é introduzido de maneira memorável para praticamente desaparecer ao longo das 15 horas de jogo. Pior são os capangas dele, com histórias mal contadas e participações pífias. Servem apenas como obstáculos em algumas missões, apesar de o jogo tentar nos convencer do contrário.

Quando terminei a história que eu amei e odiei ao mesmo tempo, voltei a passear por Kyrat. Descobri novos templos, encontrei os diários do pai de Ajay narrando suas lutas contra o governo de Pagan. E então me perguntei se tinha feito as escolhas certas para Kyrat — um país que não queria deixar para trás, e um lugar que vou continuar explorando enquanto ele me der razões para isso.

Far Cry 4 tem personagens fraquíssimos, mas a sua campanha, modo cooperativo e o modo multiplayer competitivo são extremamente divertidos. Mesmo com batalhas diversificadas e uma dinâmica praticamente única, o multiplayer requer estratégias excessivas. O caminho dos novatos pode não ser dos mais amigáveis, afinal, o competitivo não é tão simples e acessível quanto aparenta ser. Além de tudo, existem apenas três modos, o que pode acabar frustrando rapidamente alguns usuários. Far Cry 4 consegue manter todos os elementos que consagraram a franquia, porém incorpora novidades significativas ao vasto mundo aberto, como ambientes verticais e uma temática mística envolvente. É bem verdade que a jornada de Ajay transmite uma sensação de “déjà vu”, mas ainda assim continua divertida e agradável. Pensando em viajar nas férias? A belíssima região de Kyrat é logo ali!

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