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Eu Sou a Lenda (2007) – Crítica

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 Eu Sou A Lenda tem paralelos muito interessantes com Extermínio, de Danny Boyle. As ruas e outras locações desertas aos poucos revelam a existência de criaturas mutantes violentas e irracionais, com expressivas bocas que as tornam ainda mais assustadoras. Ao contrário de Extermínio, em Eu Sou A Lenda os muitos ataques dos mutantes aparecem detalhadamente, sem a câmera tremida ou desfocada. Destaque para o ataque no prédio escuro e o ataque noturno onde as criaturas atacam o carro do protagonista.

 

A brasileira Alice Braga aparece em cena como Anna, uma sobrevivente não-infectada que ouviu pelo rádio um sinal mandado por Neville oferecendo um local seguro como abrigo, numa outra referência à uma situação similar do roteiro de Extermínio. Ela está acompanhada de seu filho Ethan e insere na trama elementos de melodrama familiar fazendo Neville relembrar de sua antiga vida de pai de família. Embora não fique evidente, os roteiristas fizeram questão de deixar claro que Anna veio de São Paulo, para classificar oficialmente a atriz como latina.

I Am Legend (Eu Sou a Lenda) é um filme pós-apocalíptico de ficção científica, terror e suspense de 2007, dirigido por Francis Lawrence e estrelado por Will Smith e pela atriz brasileira Alice Braga. É a terceira adaptação do livro homônimo de Richard Matheson, precedida por The Last Man on Earth de 1964 e The Omega Man de 1971.

Em 2009, o vírus do sarampo foi geneticamente alterado, originalmente para ser uma cura para o câncer, porém acaba se transformando em uma cepa letal que mata 90% dos infectados, transforma 9% em vampiros que se alimentam de sangue e são extremamente vulneráveis ​​à luz solar (Por isso o nome).

A trama de Eu Sou a Lenda começa com uma notícia fantástica – a descoberta da cura do câncer, feita por uma pesquisadora inglesa (Emma Thompson, em participação especial). O problema começa seis meses depois, quando descobre-se que esta vacina gera efeitos colaterais – um novo vírus, que acaba transformando 99% da população mundial em seres monstruosos sensíveis à luz, quase como vampiros, o que termina ocasionando a morte da grande maioria da humanidade. Os que sobrevivem estão sempre escondidos, esperando o sol se pôr para se alimentar vorazmente de animais ou dos poucos sobreviventes biologicamente imunes e, portanto, não infectados. Will é uma dessas pessoas, que por acaso vem a ser também um cientista, desde então empenhado em encontrar uma cura para este mal terrível.

Três anos depois, o cientista Robert Neville (Will Smith) é o único sobrevivente de Nova Iorque (marco zero da disseminação do vírus) e acredita estar sozinho na cidade, sendo o único sobrevivente. Por algum motivo que nem ele conhece, é imune ao vírus, que se propaga pelo ar e por mordidas. Vivendo com sua companheira Sam, uma cadela, ele sai de dia para procurar mantimentos e caçar infectados que usa como cobaias de testes para uma possível cura do vírus, que busca em um laboratório sob sua casa, fortifica à noite para manter os infectados do lado de fora. Durante o dia, ele também envia mensagens via rádio, na tentativa de encontrar algum sobrevivente. Intercaladas com o enredo principal, são exibidas cenas de 2009, em que Neville anuncia que sua esposa Zoe (Salli Richardson) e a filha Marley (Willow Smith) deverão deixar a cidade, mas o helicóptero em que estão é atingido por outro helicóptero que perdeu o controle ao ser agarrado por civis desesperados com o bombardeamento de pontes por parte de caças das forças armadas, uma medida drástica para tentar garantir que o vírus não saia de Manhattan.

Um dia, Neville captura uma cobaia fêmea (Lauren Haley) e vê que um outro infectado (Dash Mihok) faz menção de sair ao ar livre, o que chama a atenção do cientista, uma vez que os raios solares são muito dolorosos para os infectados. Ao testar a cura na infectada capturada, ele começa a perceber melhoras como o retorno da pigmentação da pele, e a diminuição da euforia e agressividade. Um dia, ao sair para caçar, ele descobre que um dos manequins que espalhou pela cidade para não se sentir tão sozinho está num local diferente de onde ele o havia deixado. Ao se aproximar para verificar, ele é capturado em uma armadilha semelhante às que ele arma para pegar cobaias e desmaia.

Despertado pelo alarme do seu relógio de pulso, que dispara toda vez que o sol está para se pôr, ele consegue se libertar mas fere sua perna na queda. Enquanto se arrasta para o carro, três cães infectados esperam o último resquício de sol ir embora para poder atacá-lo. A poucos centímetros do veículo, o sol se põe e os cães avançam. Sam defende seu dono mas acaba mordida e infectada com o vírus. Neville a leva de volta para casa e tenta curá-la, mas ela logo começa a manifestar a raiva característica dos infectados e ele se vê forçado a matá-la.

Inconformado, Neville pega seu carro e massacra vários infectados, mas acaba dominado por eles. Quando está prestes a ser capturado, Anna (Alice Braga) o resgata e o leva inconsciente para sua casa. Neville desperta no dia seguinte e Anna explica que ela veio de um navio de refugiados da Cruz Vermelha de São Paulo, Brasil e veio até ele após ouvir as transmissões de rádio, acompanhada do garoto Ethan (Charlie Tahan). Anna revela que há uma colônia de sobreviventes em Bethel, Vermont, e que ela planeja ir até lá. Neville, por outro lado, acredita que eles são os únicos sobreviventes do mundo todo e não devem se arriscar.

Naquela noite, Neville descobre um exército de infectados vindo em direção à sua casa. Mesmo usando todos os equipamentos que preparou para um possível ataque, os infectados conseguem invadir o prédio. Refugiados na sala de testes do laboratório e separados dos infectados por uma porta de vidro fortificado, Neville recolhe uma amostra da cura, dá para Anna e coloca ela e Ethan numa câmara. Em seguida, ele abre a porta da sala e puxa o pino de uma granada, cuja detonação mata todos os infectados e o próprio cientista. No dia seguinte, Anna e Ethan são vistos chegando à colônia de sobreviventes, onde Anna entrega a cura para outro ser humano saudável.

Em um final alternativo, Neville observa pela porta de vidro o mesmo infectado que fez menção de sair à luz do dia quando ele capturou a cobaia – que está na sala com os três sobreviventes, ainda inconsciente e presa à maca. Deduzindo que o bando veio resgatá-la, Neville a reinfecta com o vírus e abre a porta. O infectado pega sua companheira e vai embora com seus amigos. No dia seguinte, os três sobreviventes são vistos dirigindo por uma estrada enquanto é reproduzida uma transmissão de Anna chamando por outros sobreviventes e informando sobre a colônica em Bethel.

Desde os anos 1970, diferentes estúdios em Hollywood desejavam refilmar o romance de Richard Matheson, que já havia sido levado às telas anteriormente em duas ocasiões. Nomes como Arnold Schwarzenegger, Ridley Scott, Michael Douglas, James Cameron, Guillermo Del Toro e Michael Bay chegaram a estar envolvidos neste projeto, mas nenhum conseguiu ir adiante. Só quando Smith disse “sim” é que finalmente as coisas começaram a andar. E do modo como ele decidiu: o diretor escolhido foi Francis Lawrence (Constantine, 2005) e o roteirista escalado foi o vencedor do Oscar Akiva Goldsman (Uma Mente Brilhante, 2001). E tudo isso para contar a história do último homem na Terra. Que, como já adianta o cartaz, não está sozinho!

Os momentos mais dramáticos não comovem, quase fazem você entrar na situação, mas você não entra. Parece que está sempre faltando alguma coisa. Para não dizer que não há nada de positivo no trabalho dele, há de se elogiar os planos bem realizados da Nova York vazia. E aqui fica difícil novamente não lembrar de Danny Boyle em seu “Extermínio”, quando esvaziou a Londres infectada de seu longa.

Talvez se o personagem de Neville fosse melhor construído, todo o trabalho tivesse sido melhor realizado. Will Smith está bem na película, acho inclusive que ele é um dos bons atores da saturada indústria hollywoodiana, mas poderia ter sido melhor aproveitado. Carregando nos ombros a infeliz posição de levar o filme inteiro nas costas, ele consegue achar um bom tom entre a esperança e a quase loucura de um homem que vive sozinho há quase três anos.

E sim, ficam os créditos por uma das mensagens que o filme carrega. Em discussão sobre Deus, sobre quem teria causado à raça humana tanta desgraça, Neville dispara: “Deus não fez isso. Os homens fizeram”. Eu Sou a Lenda é uma diversão competente, cinema-pipoca de qualidade, repleto de bons efeitos especiais, atores competentes no domínio de suas habilidades e uma trama que se não surpreende, ao menos não aborrece pela obviedade.

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