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Anônimo (2021) – Crítica

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 Mansell é um pacato pai e marido que sempre arca com as injustiças da vida, sem revidar. Quando dois ladrões invadem sua casa, Hutch se recusa a defender a si mesmo e sua família na esperança de evitar qualquer violência, desapontando seus familiares com sua passividade. As consequências do incidente acabam despertando uma raiva latente nele, desencadeando instintos adormecidos e impulsionando-o em um caminho brutal.

 

Hutch Mansell parece comum. Ele tem dois filhos com sua esposa Becca e um emprego de escritório comum na empresa de fabricação de metal de seu sogro Eddie. Seu casamento está tenso e sua vida profissional parece tediosa.

Uma noite, um homem e uma mulher armados invadem sua casa e seu filho adolescente, Blake, ataca um deles. Hutch reluta em intervir e implora a seu filho que solte o homem, que dá um soco no menino. Os ladrões vão embora. O incidente faz com que todos pensem que ele é um fracasso. Hutch contata seu irmão Harry em um rádio escondido em seu escritório e explica que ele se conteve porque os ladrões estavam desesperados, com medo e usando uma arma descarregada.

Mais tarde naquele dia, sua filha, Sammy, pede ajuda para encontrar sua pulseira de gatinho desaparecida. Sem dizer uma palavra, ele sai para ver seu pai David e pega emprestado seu antigo distintivo do FBI e uma arma para rastrear os ladrões. Ele encontra o apartamento deles e os ameaça, mas quando descobre que o bebê está doente, ele vai embora. Bandidos param o ônibus que ele leva para casa, e Hutch, procurando uma oportunidade de liberar sua frustração, os espanca sob o pretexto de proteger uma jovem de assédio sexual . Em casa, ele percebe que não tem se comunicado com sua família e tenta se reconectar com eles.

Harry o convence a ver “O Barbeiro”, que fornece a Hutch informações sobre uma de suas vítimas: ele é o irmão mais novo de Yulian Kuznetsov, um senhor do crime russo. Em retribuição, Yulian envia uma tripulação liderada por seu braço direito Pavel para capturar Hutch em casa. Hutch esconde sua família e mata a maioria dos atacantes antes que Pavel o deixe inconsciente e o capture. Encontrando um extintor de incêndio no porta-malas de um carro em que está trancado, Hutch o usa para cegar o motorista, causando a queda do carro, matando Pavel e sua equipe restante. Hutch manda sua família para um local seguro antes de colocar fogo em sua casa para destruir qualquer evidência.

Hutch é um ex-“auditor” (“o último cara que qualquer organização quer ver em sua porta”), um assassino contratado por agências de inteligência. Depois de liberar um de seus alvos, Hutch o encontrou um ano depois, reformado e vivendo feliz com sua nova família. Desejando uma vida semelhante, Hutch se aposentou, contra a vontade de seus superiores.

Depois de comprar a empresa de Eddie com um estoque de barras de ouro, Hutch queima o dinheiro Obtshak que Yulian estava protegendo para a máfia, junto com a coleção de arte de Yulian. Yulian persegue Hutch até a fábrica com seus homens, onde David e Harry aparecem para ajudar a eliminar os gângsteres usando uma variedade de armas e armadilhas mortais que Hutch havia armado. Eles matam todos os homens armados até que apenas Yulian fique. Sem munição, Hutch o ataca com uma mina Claymore presa a um painel de vidro à prova de balas e a detona, matando Yulian. Depois de garantir a fuga de seu pai e irmão, Hutch é preso, apenas para ser libertado sem nenhuma acusação.

Três meses depois, ao comprar uma nova casa com Becca, Hutch recebe uma ligação sugerindo que seus serviços ainda são necessários. Em uma cena no meio dos créditos, Harry e David são mostrados dirigindo para um local não revelado em um trailer cheio de armas.

Anônimo é mais um filme parte do revival dos filmes de brucutu dos anos 80 que podemos dizer que começou de verdade com Busca Implacável, tendo como outros expoentes de nota John Wick (ou De Volta ao Jogo) e O Protetor, todos bebendo mais ou menos da mesma fórmula básica, ou seja, super agentes aposentados que retornam à ação pelas mais diversas razões e matam basicamente todo mundo que aparece na frente. Em outras palavras, é diversão descerebrada garantida, só restando saber mesmo como é que um de destaca ou se diferencia em relação ao outro, se o protagonista funciona no contexto e, claro, se as cenas de ação valem o preço do ingresso.

Mais especificamente, Anônimo funde a premissa quase engraçada de tão prosaica de John Wick, alterando o “mataram o cachorro de minha esposa” para “roubaram a pulseira de gatinho da minha filha” com o “eu vou até o fim em minha sana exterminadora contra russos” de O Protetor, com Bob Odenkirk, no papel título (ou de Hutch Mansell, como preferirem), lembrando muito em estilo o Bryan Mills de Liam Neeson, mas talvez bebendo com mais vontade da escola da falibilidade dos homens invencíveis de Bruce Willis, em Duro de Matar. E, de fato, as postura de Odenkirk e a relativa facilidade com que ele apanha dos marginais logo no começo da fita tenta emular o porte e a “humanidade” de Willis, ainda que ele não demore a se revelar como alguém com um passado muito mais próximo dos protagonistas dos outros filmes citados.

Talvez por estar acostumado com a magnífica atuação tragicômica de Odenkirk em Better Call Saul, eu tenha demorado a me conectar com o ator como um herói de ação mais para o genérico, mas seu carisma é inegavelmente contagiante, especialmente considerando a sequência inicial, com ele todo arrebentado, de barba por fazer e fumando um cigarro em uma sala de interrogatório, tirando uma lata de sardinhas, um abridor e um gatinho dos bolsos como se fosse a coisa mais normal do mundo. É um início – que é o fim, claro – que sem dúvida levanta sobrancelhas, ainda que a sequência de eventos que leva o protagonista até esse ponto seja bastante comum, do tipo “já vi isso muitas vezes antes”, mas que mesmo assim diverte, com Hutch fazendo o que faz não por algum senso de justiça em particular, mas sim por simplesmente estar cansado de sua vida de aposentado.

E grande parte da diversão vem de duas características bacanas do longa. A primeira delas é contar com a presença de outros icônicos atores que não citarei aqui para não tirar o prazer do “ahá, olha lá o fulano” de ninguém, ainda que não sejam exatamente surpresas (atenção: os nomes deles estão na ficha técnica abaixo, pelo que, se quiserem continuar ignorantes, não a leiam!). A segunda é mesmo a direção de Ilya Naishuller, que só tem em seu currículo um outro longa, o impossivelmente enlouquecido Hardcore: Missão Extrema, que parte de uma ideia até interessante, para uma execução que cansa depois de dois minutos. Acho que o próprio cineasta sabe disso, pois não tenta emular quase nada de seu filme anterior, apenas arriscando uma ou duas cenas curtas em primeira pessoa para marcar seu estilo. Seja como for, o jovem russo mostra segurança ao lidar com pancadaria pura e simples, ao usar o carisma e os dotes dramáticos de Odenkirk da melhor maneira possível dentro desse contexto que não exige nada disso, e ao criar algumas sequências realmente originais, como a que Hutch dá ré em seu carro no beco próximo à boate do vilão russo e a do escudo + Claymore bem no final.

Anônimo, portanto, é outro longa que merece figurar dentre os outros citados aqui como herdeiros dos filmes oitentistas descerebrados. Não é nem de longe uma obra-prima ou mesmo algo particularmente memorável, mas há muito a ser apreciado, seja o próprio Odenkirk, os convidados especiais, a destruição total de cenários, a morte de um caminhão de extras das maneiras mais diferentes possíveis ou, claro, aquela obrigatória, mas bela seleção musical encabeçada por Nina Simone para embalar a ação desenfreada.

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