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A Família Addams 2: Pé na Estrada (2021) – Crítica

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 The Addams Family 2 (A Família Addams 2: Pé na Estrada) é um filme estadunidense-canadense de animação digital dos gêneros estrada, comédia de terror e humor negro de 2021, dirigido por Greg Tiernan e Conrad Vernon, codirigido por Laura Brousseau e Kevin Pavlovic, a partir de um roteiro escrito por Dan Hernandez, Benji Samit, Ben Queen e Susanna Fogel, com uma história de Hernandez e Samit, e baseada nos personagens criados por Charles Addams. Servindo como uma sequência para o filme de 2019, o filme apresenta as vozes de Oscar Isaac, Charlize Theron, Chloë Grace Moretz, Nick Kroll, Javon Walton, Wallace Shawn, Wayne Knight, Snoop Dogg, Bette Midler e Bill Hader.

A família assustadora favorita de todos está de volta na nova sequência da animação, A Família Addams 2: Pé Na Estrada. Neste filme totalmente novo, os Addams se vivem aventuras malucas e se envolvem em confrontos hilariantes com todos os tipos de personagens desavisados. Sempre fiel a si mesma, a Família Addams traz seu ícone fantasmagórico e excêntrico aonde quer que vá.

 

Uma viagem de família nunca foi tão assustadoramente esquecível. Ao apostar numa viagem dos Addams pelos EUA, A Família Addams 2: Pé Na Estrada (The Addams Family 2, 2021) mostra que até mesmo para os icônicos Addams, uma viagem de família pode ser sim assustadoramente.

Feioso e Tio Chico conquistam o papel de secundários, sendo usados como alívio cômicos de piadas físicas, onde são amplamente explodidos, torturados ou até mesmo jogados de um lado para o outro. Embora tenham sim seu próprio arco dentro da narrativa, os personagens são deixados de lado para o desenvolvimento da trama principal do filme. Mas, a grata surpresa está nas mãos frias de Tropeço, que traz uma mensagem subentendida repleta de um dinamismo pouco esperado. É gratificante entender as sublinhas deixadas pelo texto e sorrir com satisfação quando o roteiro nos dá aquela singela piscadela que enche nossos corações. O longa é fofo. Não dá para esperar uma história repleta de novidades ou algo inovador. É preciso lembrar que a animação é voltada para crianças. Do jeito ‘Família Addams’ de ser. Com Wandinha a todo o tempo tentando se livrar de Feioso, Gomez endeusando sua adorada Mortícia e o Primo It sendo o mais popular da turma.

A Família Addams é uma família essencialmente esquisita e deslocada, e isso não é novidade. Dentro do cenário da animação isso facilita trabalhar ainda mais a comédia e o drama temático de inclusão pertencente à família, mas também cede ao cenário animado, seja 3D ou 2D, a não mais se diferenciar da família, quebrando o destaque entre os personagens sombrios e os contextos comuns que tanto cria graça e diversão.

Tudo começa com a feira de ciências de Wandinha, cujo trabalho chama atenção do patrocinador e a louca família destruíndo todo o ambiente. Irritada, ela não quer mais jantar com o restante dos parentes, o que deixa Gomez bastante triste. Assim, o pai decide pela viagem pelo país.

Mas, antes de sair, Gomez e Mortícia são surpreendidos por um advogado que afirma que uma criança foi trocada na maternidade no dia em que Wandinha nasceu. Desesperados com a possibilidade de perder a filha, eles saem às pressas, deixando a casa sob os cuidados da Vovó Addams.

No primeiro filme produzido pela BRON Studios, em 2019, o jogo implementado para evitar esse possível problema foi apostar ainda mais em dinâmicas temporais, tornando os Addams modernos para o público acostumado com o live-action da década de 90, por exemplo. Já em A Família Addams 2: Pé na Estrada, ausenta-se a tentativa de tornar os personagens mais próximos da tecnologia e surge a aposta num drama familiar básico de road-movie. Isso torna o cenário automaticamente imprevisível e ao mesmo tempo consistente para a antítese com a família no quesito de cenários, mas vacila em tornar sua história redundante para o que significa os Addams.

A trama se baseia no conflito de Wednesday (Chloë Grace Moretz) com sua própria família. Apesar da boa relação com Mortícia (Charlize Theron), no quesito de personalidade, a filha mais velha sempre se mostrou cômica por ser fria demais para as características de seus familiares. Isso nunca foi uma questão conflituosa plena, apesar de provocar boas esquetes na fórmula episódica que os filmes da Família Addams sempre produziram. Justamente nessa sequência da animação que renovou a franquia, a garota esbranquiçada e mortal adentra na narrativa da juventude, de entender qual é o seu lugar, ou melhor, qual é a sua origem.

O filme é bem direto nas primeiras cenas, numa feira de ciências que delimita esse drama, quando a personagem, mesmo sendo a mais inteligente na comparação de projetos, não ganha nada por isso. A princípio, isso intenta um bom fio para justificar o título do filme, quando Gomez (Oscar Isaac) propõe uma viagem de férias com intenção  implícita de redescobrir a família, ou aproximá-la. No entanto, por causa dessa ideia toda, a animação se sustenta bem mais pela fórmula de estranheza clássica do que por uma narrativa dramática que permite uma nova aventura nos cinemas.

Alguns detalhes do filme, porém, chamam bastante atenção. Logo de cara, Wandinha cita Scar, o vilão de ‘O Rei Leão’. “Estou cercada de idiotas”, diz a garota ao realizar um experimento que vai mudando a aparência de tio Chico ao longo da película. E, claro, há diversas referências ao terror, como uma cena icônica e amplamente reproduzida de ‘Carrie, a Estranha’.

Há ainda um momento em que o filme brinca com a compra da companhia MGM por Jeff Bezos. Em uma das paradas da viagem em família, Mortícia fala que Feioso está comprando muito no Amazon Prime, pela entrega fora da residência dos Addams.

Diante disso, pode-se até pensar o quão desperdiçada é uma continuação que parece apenas refletir em como Wednesday é diferente de seus familiares em uma família bastante plural e exótica. Até seu nome ganha um prólogo de explicação racional para provocar novos conflitos. Apesar disso, A Família Addams 2: Pé na Estrada consegue entreter pela diversidade de cenários que o road-movie proporciona, aumentando as piadas visuais, físicas e sociais. Se o grande o lema que o filme quer alcançar parece tentar delinear o cinza no preto mais claro, o escopo em que a história se insere é um belo arco-íris.

O roteiro de Ben Queen e Susanna Fogel tenta interligar as passagens com uma trama voltada para Wandinha, esquecendo o arco narrativo que foi construído e elaborado no primeiro longa. Retomar a diferença apática da primogênita parece um viés seguro, trazendo um contexto que já conhecemos e pouco temos a explorar. É bastante cansativo ter que rever algo que já acompanhamos no primeiro longa, mesmo sobre uma nova prisma trabalhoso que sabemos não ter coragem de concluir aquilo que se propõe. É inevitável adivinhar o plot twist que o filme preparou, ligando calmamente os pontos deixados que não criam nenhum questionamento para quem conhece minimamente seus personagens.

Desde Niagara Falls a Sausalito, na Califórnia, o passeio de ponta a ponta dos EUA confere natural divergência aos Addams em espaços “normais”, lidando com a modernidade. Muitas das motivações de humor físico nas cidades que a família visita nem mesmo tem uma lógica elaborada, apenas se encaixam na estrutura de esquetes que vão montando transições de acúmulo dramático para unir a narrativa de Wednesday com Gomez e Morticia. Busca-se desenvolver, daí, um mistério envolto numa perseguição, onde  dois personagens seguem o itinerário dos protagonistas com um segredo envolvendo os pais e a garota, valendo  de maneira mais interessante na comédia do que nas tentativas de criar conflito dramático.

‘A Família Addams 2: Pé na Estrada’ tem direção de Greg Tiernan e Conrad Vernon, com roteiro de Dan Hernandez, Benji Samit, Ben Queen e Susanna Fogel. A dublagem em inglês conta como Charlize Theron como Mortícia, Oscar Issac como Gomez, Chloë Grace Moretz como Wandinha, Nick Kroll como Tio Chico, Bette Midler como Vovó Addams e Snoop Dogg como Primo It. Javon Walton é Feioso, substituindo Finn Wolfhard.

Não é preciso ir muito longe para afirmar que A Família Addams conquistou sua legião de fãs pelo mundo. Geralmente, estes seguidores costumam seguir uma linha mais alternativa, que se sente muita a vontade com aquilo que é diferente da norma, que não se preocupa com o conceito de encaixar com a maioria, sabe?!

A Família Addams 2: Pé na Estrada é simples nessa proposta de divertir e entreter, contudo, sabemos que esta família não serve para todo mundo. A verdade é que ver Pugsley (Javon ‘Wanna’ Walton) tentando tornar o Grand Canyon em um “grand bomb show” por causa do silêncio da paisagem, as tentativas contínuas, clássicas, da irmã matá-lo e as interações de quebra de expectativa do mordomo Lurch (Conrad Vernon) com Wednesday e os motoqueiros num bar, tudo isso torna a Família Addams um exemplo de modelo adaptativo. Mesmo com músicas modernas, mesmo com o tema variando notas, toda a estranheza cômica envolvendo piadas curtas que formam uma história para os personagens, sustentam uma fórmula única que não se desgasta. O diretor Barry Sonnenfeld, quando dirigiu Família Addams 2 em live-action em 1993, expôs isso, e mais uma vez uma sequência parece evidenciar o quão duradouro  e quão variável pode ser o encaixe desencaixe dessa família em qualidade, mesmo quando o filme não é tão bom assim.

Neste filme totalmente novo, encontramos Morticia e Gomez perturbados porque seus filhos estão crescendo, pulando jantares de família e totalmente focados em qualquer outra coisa que os mantenha distantes de sua linha familiar. Para recuperar o vínculo, eles decidem enfiar Wandinha, Feioso, Tio Fester e o resto do bando em seu furgão-trailer mal-assombrado e pegar a estrada para “curtir” umas férias familiares miseráveis. Estas aventuras pela América, os levarão para fora de seu elemento, em confrontos hilariantes ao lado do popular Primo Itt, bem como muitos outros novos personagens excêntricos. O que poderia dar errado nessa viagem?

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